O profissional tóxico
O que há aqui para mim
Este artigo é para ti se já toleraste alguém difícil porque “entrega resultados”, se tens uma pessoa na equipa que desgasta todos à volta, ou se suspeitas que o verdadeiro problema não está no desempenho, mas no ambiente que essa pessoa cria. Vais encontrar uma forma prática de distinguir toxicidade de exigência, discordância saudável de sabotagem silenciosa, e mau feitio ocasional de padrão destrutivo.
Também vais encontrar o que fazer consoante o caso: quando é um par, um chefe, um subordinado, alguém de outra área ou um parceiro externo. A ideia central é simples, mas desconfortável: o profissional tóxico raramente destrói os resultados de imediato. Destrói quem os produz. E quando a liderança demora demasiado a agir, a cultura já percebeu a mensagem.
Este é um artigo PRO. Uma leitura em profundidade para quem quer ir além da ideia rápida, compreender melhor o problema e levar daqui métodos, contexto e aplicação prática para decidir melhor na tua empresa.
Há uma crença instalada em muitas empresas que me preocupa. Enquanto o número aparecer, o comportamento tolera-se.
Discordo. Tenho uma máxima que uso há anos: mais depressa despeço alguém que dá mau ambiente do que alguém que é mau profissional. Um mau profissional, se quiser, aprende. O estrago que uma pessoa tóxica faz numa equipa pode demorar anos a reparar e as pessoas que saíram por causa dela não voltam.
O que é, concretamente, uma pessoa tóxica
Não é quem tem mau feitio. É quem deteriora o ambiente de forma consistente.
Há uma distinção que vale a pena fazer. Toda a gente tem dias difíceis, reage mal sob pressão, ou diz algo que não devia numa reunião tensa. Isso não é toxicidade, é humanidade. O que distingue a pessoa tóxica é o padrão, repetido, independente do contexto e com impacto sistemático nas pessoas à volta.
Na prática, os comportamentos mais comuns tendem a ser:
· Desvalorizar o trabalho dos outros, em público, muitas vezes com humor que "não era para ser levado a sério". O clássico “estava a brincar”.
· Reter informação que os outros precisam para trabalhar, consciente ou inconscientemente, como forma de manter relevância.
· Criar conflitos laterais, comentários à saída das reuniões, conversas de corredor que minam decisões já tomadas.
· Mudar de versão consoante quem está na sala, dizendo uma coisa ao par e outra ao chefe.
· Fazer-se de vítima quando confrontado, transformando qualquer crítica num ataque pessoal.
· Assumir crédito pelo que corre bem e distribuir culpa pelo que corre mal, de forma tão natural que passa despercebida durante meses.
· Tratar de forma visivelmente diferente quem tem poder e quem não tem.
Nenhum destes comportamentos, isolado, é necessariamente fatal.
O problema é quando se combinam e se repetem. E o problema maior é que a pessoa tóxica tende a ser suficientemente competente para que a organização hesite sempre em agir.
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