Contratar não é resolver
O que há aqui para mim
Quando a equipa está no limite, os clientes reclamam e os prazos começam a falhar, contratar parece a resposta responsável. Mas às vezes o que está a faltar não é mais uma pessoa, é perceber porque é que o trabalho se acumula, quem está a fazer o quê e que tarefas já não deviam existir.
Esta leitura ajuda-te a travar antes de transformar uma urgência num custo fixo. Vais sair com uma pergunta mais útil antes de abrir uma vaga: isto precisa mesmo de uma pessoa nova ou precisa primeiro de melhor organização?
Este é um artigo PRO. Uma leitura em profundidade para quem quer ir além da ideia rápida, compreender melhor o problema e levar daqui métodos, contexto e aplicação prática para decidir melhor na tua empresa.
Contratar parece matéria de operações, mas quase nunca é. Uma contratação cria um custo fixo, ocupa um lugar no organograma e define a capacidade durante anos.
Na maioria das PMEs, contudo, as decisões não nascem da estratégia. Nascem da pressão.
A equipa está sobrecarregada e abre-se uma vaga. O serviço ao cliente degrada-se, pede-se reforço.
O diretor comercial aparece na reunião com cara de quem já não aguenta. A pressão é real, quase sempre, mas a causa pode não ser a falta de pessoas: pode ser a falta de organização, funções mal desenhadas ou baixa produtividade que a empresa não quis enfrentar.
Contratar é a forma mais cara de adiar um problema de gestão.
A urgência que engana
Quando a pressão substitui a análise.
Trabalho acumulado, prazos a apertar e clientes insatisfeitos. A resposta mais rápida é abrir uma vaga e raramente se questiona, porque a pressão é visível e o pedido parece razoável. Razoável, contudo, não é o mesmo que certo.
Em muitos dos casos que acompanhei ao longo de três décadas, a sobrecarga vinha de processos mal desenhados e de tarefas sobrepostas entre as equipas. Acrescentar uma pessoa a esse cenário é pôr mais água num balde furado, ou como costumo dizer, deitar dinheiro para cima do problema.

A vaga aberta é visível hoje, mas a má contratação só se revela daqui a seis meses e costuma ser atribuída a "mau fit" ou a azar. O custo real fica diluído nos custos de operação, sem uma linha própria em nenhum relatório: tempo de gestão gasto, impacto na equipa, novo recrutamento e meses de produtividade abaixo do esperado.
Quase nenhuma empresa soma isto e se somasse, muitas contratações não teriam sido aprovadas.
Há um mecanismo mais subtil. Quando já anunciaste a vaga, já entrevistaste candidatos e já disseste à equipa que o reforço vem a caminho, o cérebro começa a trabalhar contra ti. Procuras razões para dizer sim, não razões para parar.
É difícil admitir que dois meses de processo foram tempo perdido. É aí que se tomam as piores decisões de recrutamento.
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