members-only post 7 min de leitura

Decidir é treinar o instinto

Como tomo decisões como CEO, quando confio nos instintos e quando os obrigo a esperar.
Decidir é treinar o instinto

O que há aqui para mim

Decides depressa porque é isso que esperam de um CEO. Depois há contratações, produtos ou mudanças internas que só semanas mais tarde revelam o erro que a pressa escondeu.

Fica aqui um teste de quatro perguntas para saberes, antes de avançar, quando o instinto merece confiança e quando é melhor esperar mais um dia. É a diferença entre decidir bem e decidir só depressa.

Este é um artigo PRO. Uma leitura em profundidade para quem quer ir além da ideia rápida, compreender melhor o problema e levar daqui métodos, contexto e aplicação prática para decidir melhor na tua empresa.

Muitas das escolhas que tomo enquanto CEO acontecem antes de eu conseguir explicá-las por completo. Não chega a ser análise, mas também não são palpites, é uma leitura rápida do que vejo, do que ouvi nos últimos meses e do que já vivi antes.

Decido quase sempre com informação incompleta. A informação que chega à minha mesa vem muitas vezes filtrada por quem a passa e há escolhas que mexem ao mesmo tempo em produto, vendas, clientes, equipa, dinheiro e reputação.

Isto não desculpa escolhas mal pensadas. Os instintos de um CEO não devem ser eliminados, devem ser treinados, testados e, em certos casos, obrigados a esperar.

O que alimenta o instinto certo

Para mim, treinar os instintos quer dizer ler muito, ouvir mais e antecipar o que ainda não chegou à mesa. Leio bastante sobre os temas que sei que vão entrar nas próximas escolhas. Falo com pessoas dentro e fora da empresa, com clientes, com gente do setor, com quem já passou por algo parecido.

Tento antecipar o que vou ter de decidir daqui a uma semana ou a um mês, para chegar lá já com a leitura feita. Quando as escolhas chegam, os instintos têm com que trabalhar. Não é magia, é o efeito de ter posto contexto na cabeça antes de a pergunta surgir.

Um estudo de 2023 no Journal of Business Research, sobre o papel da intuição no trabalho empresarial, identificou cinco funções práticas dos instintos executivos: sintetizar informação, fazer a triagem, estimar, confirmar e dar energia às escolhas. A leitura útil é simples: a intuição é experiência comprimida que devolvemos depressa.

Quanto tempo passas a preparar os instintos para as escolhas que ainda nem chegaram?

Só que essa experiência comprimida tem um gémeo parecido por fora, mas perigoso por dentro: o excesso de confiança.

Um estudo da Universidade do Colorado Boulder, publicado na Management Science e baseado em 262 CEOs, mostrou que os mais eficazes tendem a usar processos estruturados nas escolhas importantes, sobretudo identificar bem o problema real e testar pressupostos antes de saltar para soluções.

Sem essa estrutura, os instintos viram-se contra o CEO. Transformam-se em excesso de confiança, sobretudo em quem já teve sucesso e começa a confundir o que decidiu bem com o que decidiu por sorte.

A McKinsey lembra que não conseguimos impedir que os instintos influenciem as escolhas: afetam como enquadramos o problema, que opções analisamos, que informação procuramos e com quem falamos. A pergunta certa não é se devo usar os instintos. É quando posso confiar neles e quando devo criar proteções.

Nem toda decisão pede pressa

Esta publicação é apenas para subscritores

Subscreve gratuitamente para continuar a ler


Se achas que isto pode ajudar alguém, partilha.

Talvez conheças um líder, empresário ou fundador que esteja a lidar com este problema agora.