O orçamento que resulta da conversa que não aconteceu
Há um problema nas reuniões de orçamento que raramente tem nome.
Não é falta de dados. A maior parte das equipas chega à reunião com análises, projeções e comparações. O problema está noutra coisa: a informação que chega à sala já passou por vários filtros antes de lá entrar.
Os líderes intermédios decidem, muitas vezes sem se aperceberem, o que apresentam e o que guardam. Não por má-fé. Por um mecanismo de proteção muito natural: ninguém quer chegar a uma reunião de direção com más notícias sem solução à mão.
E assim, o orçamento que sai da sala reflete a versão da realidade que era seguro partilhar, não a realidade toda.
O que os líderes intermédios fazem à informação
Como quem está no meio da hierarquia decide quanto da realidade chega ao topo.
Na PHC, aprendi isto por tentativa e erro.
Havia situações em que eu sabia, por conversas informais, que havia problemas numa área que não apareciam nas reuniões formais. Não porque as pessoas mentissem. Porque o contexto da reunião não convidava à dificuldade.
Quando o líder de topo entra na sala com uma perspetiva clara e uma preferência implícita, quem está no meio tende a apresentar a informação de forma consistente com essa perspetiva. Os desvios ficam suavizados. As ressalvas ficam para depois.
E o orçamento que resulta desta dinâmica tem um problema estrutural: foi construído sobre uma versão parcial do que estava a acontecer.
Como criar condições para que a informação difícil apareça à mesa
Uma mudança de postura que começa antes da reunião.
Há uma ideia que uso há anos e que simplifica muito esta questão: em vez de bloquear o que não é viável, perguntar o que seria preciso para ser viável.
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