O teste das férias
O que há aqui para mim
As férias do líder dizem muito sobre a empresa. Se tudo abranda quando sais, o problema pode não estar na dedicação das pessoas, mas na forma como o trabalho, as responsabilidades e as prioridades foram deixados montados.
A utilidade desta leitura está em separar sintomas de causas. Antes de culpares a equipa, vais ter uma forma mais séria de perceber se faltou autonomia, clareza, coordenação ou coragem para mexer na composição da equipa.
Este é um artigo PRO. Uma leitura em profundidade para quem quer ir além da ideia rápida, compreender melhor o problema e levar daqui métodos, contexto e aplicação prática para decidir melhor na tua empresa.
Há um teste de liderança que nenhuma escola de negócios ensina formalmente, mas que todos os líderes acabam por fazer: ir de férias e voltar.
O que aconteceu durante a ausência diz muito mais sobre a organização ou a equipa, do que qualquer auditoria. E o que muitos líderes encontram ao regressar, por vezes dias depois de terem saído, é desconcertante: projetos parados ou muito lentos, decisões por tomar e resultados abaixo do esperado.
A primeira reação tende a ser emocional. Frustração com a equipa, uma culpa silenciosa difícil de expor. Os líderes com menos treino chegam a confrontar as pessoas quase como se pedissem explicações por não os terem substituído com fidelidade. É quase sempre um erro. O problema raramente está onde parece estar.
O sintoma não é a doença
A baixa performance durante a ausência tem causas mais profundas.
Quando a equipa não funciona bem sem o líder, a leitura mais conveniente é esta: faltou dedicação ou faltou iniciativa. É compreensível, porque é o que se vê à superfície. Mas tende a estar errada.

A pergunta certa não é "porque é que não trabalharam como eu esperava?" É "porque é que a minha presença era necessária para que as coisas corressem bem?"
São perguntas diferentes e levam a sítios completamente diferentes.
Há uma metodologia simples para chegar à causa real de qualquer problema: os Cinco Porquês. Foi desenvolvida por Taiichi Ohno na Toyota, nos anos 50, como parte do Toyota Production System. Quando surge um problema, pergunta-se "porquê?" o número de vezes necessário até se chegar à causa estrutural, não ao sintoma. Cada resposta torna-se a próxima pergunta.
O impulso de resolver tudo já
Controlar a reação no regresso vale mais do que agir depressa.
Há um momento muito específico, normalmente nas primeiras horas depois de regressar, em que o líder vê o estado das coisas e sente um impulso quase físico de intervir. A sensação é de que quanto mais depressa agir, mais depressa se resolve.
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