Os teus líderes intermédios não vão melhorar sozinhos
O que há aqui para mim
Continuas a receber decisões que já não deviam chegar a ti, a corrigir o trabalho dos responsáveis e a sentir que, se largares, a qualidade cai. É fácil concluir que o problema são as pessoas, quando parte dele pode estar na forma como as estás a pôr a liderar.
Esta leitura ajuda-te a separar a falta de capacidade da falta de contexto, autoridade ou acompanhamento. E a perceber o que deves corrigir antes de concluir que um líder não serve.
Este é um artigo PRO. Uma leitura em profundidade para quem quer ir além da ideia rápida, compreender melhor o problema e levar daqui métodos, contexto e aplicação prática para decidir melhor na tua empresa.
Quando a empresa cresce, o CEO costuma ser o último a perceber que se tornou um estrangulamento.
Era uma tarde de quinta-feira quando um CEO me descreveu o seu dia: 47 mensagens por responder, três decisões de clientes à espera, uma pessoa em aprovação para contratar, dois líderes a perguntar o que fazer. No fim da conversa, disse-me que não confiava nos líderes intermédios. Perguntei-lhe quando foi a última vez que lhes tinha explicado como queria que decidissem.
Ficou em silêncio.
Esta é a espiral que vejo com mais frequência em PMEs com alguma dimensão: o CEO não confia nos líderes, decide tudo, não tem tempo para os treinar e eles continuam fracos.

O CEO confirma o que já suspeitava e a empresa inteira fica dependente de uma pessoa que raramente tem tempo para pensar.
O CEO que decide tudo costuma achar que está a proteger a empresa. Na maior parte dos casos, está a treinar a empresa para depender dele. Sair daqui exige um conjunto de coisas concretas que tens de dar aos teus líderes, quase sempre por esta ordem.
O lugar impossível
Antes de exigires melhor liderança, olha para o lugar onde os puseste. O líder intermédio vive entre a pressão de cima e os problemas de baixo, muitas vezes sem autoridade para resolver nenhum dos dois.
De cima chegam objetivos, mudanças de prioridade e urgências com pouca explicação. De baixo chegam as pessoas, com o cansaço, os conflitos, as expectativas e os pedidos de resposta imediata. No meio está alguém que tem de traduzir a estratégia em trabalho concreto, com a informação que tem, não com a que o CEO tem.

O responsável de suporte ouve "melhora a experiência do cliente". Às 9h de segunda, com 83 tickets abertos, duas pessoas em férias e um cliente grande a exigir resposta, tem de perceber sozinho o que isso significa na prática. O diretor comercial recebe "acelera as vendas" e depois tem de explicar isso à equipa, rever o pipeline e dar previsões credíveis para o final do mês.
A liderança intermédia é uma das funções mais difíceis da empresa.
Tem pressão por resultados sem ter sempre autoridade para mudar as condições que os impedem. E quase ninguém chegou ali preparado para isso.
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