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Pensas que estás a avaliar candidatos. O teu cérebro tomou a decisão há 90 segundos.

E o resto da entrevista serve para confirmar o que já decidiu.
Pensas que estás a avaliar candidatos. O teu cérebro tomou a decisão há 90 segundos.

O candidato entrou, cumprimentou com firmeza, fez contacto visual e falou com segurança sobre o percurso. Sentiste ali qualidade. A entrevista continuou durante 45 minutos, mas a decisão já estava tomada. Só não sabias.

Três mecanismos que trabalham contra ti Não é intuição. É química e é psicologia, e as duas distorcem a avaliação antes de teres uma pergunta.

Quando um candidato te faz sentir bem, o cérebro liberta dopamina, o neurotransmissor que sinaliza relevância e influencia a atenção e a memória de trabalho. Uma investigação publicada na Nature em março de 2026 confirma este efeito. O resultado prático: o cérebro começa a procurar provas de que a pessoa é tão boa quanto parece.

Soma-se a tendência de confirmação. Cerca de 33% dos líderes admitem que sabem se vão contratar nos primeiros 90 segundos, o que significa que o resto da entrevista tende a ser uma cerimónia. As perguntas fáceis vão para quem agrada, as difíceis para quem não agradou.

E ainda o efeito de halo, descrito por Thorndike nos anos 20: a pessoa fala com segurança e o cérebro vê ali competência técnica, mesmo sem qualquer prova. Um estudo de 2020 confirmou que a autoconfiança do candidato influencia significativamente a decisão de quem recruta, enquanto os melhores candidatos ficam muitas vezes nervosos e os medianos se apresentam de forma impecável.

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Recrutar é uma das decisões onde a qualidade da liderança se torna mais visível. Contexto, critérios e disciplina contam mais do que intuição. No guia prático de liderança em PME, integro esta decisão no sistema mais amplo de desenvolvimento e exigência.

O que a investigação diz sobre entrevistas livres 85 anos de dados têm uma conclusão que incomoda: entrevistas sem estrutura ficam pouco acima do acaso.

Schmidt e Hunter (1998) sintetizaram décadas de dados sobre seleção. A conclusão mantém-se: entrevistas estruturadas combinadas com testes cognitivos continuam entre os melhores métodos para prever desempenho. Entrevistas não estruturadas ficam pouco acima do acaso. Primeiras impressões estão entre os indicadores menos fiáveis que existem.

Se a tua empresa recruta com base em conversa livre e sensação, o sistema está desenhado para falhar.

O que podes fazer na próxima entrevista A estrutura não mata a conversa. Elimina a aleatoriedade de quem sai bem e quem sai mal.

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