members-only post 11 min de leitura

Comunicação, a skill mais injusta

A comunicação é a competência de liderança com maior retorno e a mais subestimada.
Comunicação, a skill mais injusta

O que há aqui para mim

Tomas uma boa decisão, anuncias à equipa e, duas semanas depois, cada responsável de área está a executar a sua própria versão. Parece um problema de execução ou de pessoas, mas muitas vezes a falha está no caminho que a mensagem percorre até chegar a quem faz o trabalho.

Ficas com critérios para perceber em que ponto a tua mensagem se perde, quando falar mais resolve e quando já está a atrapalhar. Levas também formas concretas de treinar esta competência, com pouco orçamento e sem depender de jeito natural.

Este é um artigo PRO. Uma leitura em profundidade para quem quer ir além da ideia rápida, compreender melhor o problema e levar daqui métodos, contexto e aplicação prática para decidir melhor na tua empresa.

Quando uma pessoa apresenta bem, nós vemos nela um profissional melhor do que às vezes é. Numa primeira impressão, quem comunica com clareza cria uma perceção de competência que demora meses a construir de outra forma.

Chamo-lhe a skill mais injusta do mundo profissional. Quem a domina parte com uma vantagem desproporcional, seja a vender software, a liderar uma equipa de oito pessoas ou a convencer um conselho de administração.

Mas convém ser claro: a comunicação multiplica o que existe. Se a estratégia for fraca e a execução pobre, comunicar bem só atrasa o choque com a realidade. Vi empresários a investir em técnicas de apresentação quando o problema era o produto. O que defendo aqui é diferente: líderes que já têm a substância e que a desperdiçam porque não sabem passá-la.

Aprendi isto da pior maneira. Contratei uma vez um diretor que brilhou no recrutamento. O processo incluía entrevistas, testes e uma apresentação final. A apresentação foi impecável. Passados alguns meses, percebi que apresentava lindamente, mas não executava. Tinha a embalagem, faltava-lhe o conteúdo. Desde esse dia, olho para a comunicação como indicador importante, nunca como indicador suficiente.

Durante 35 anos à frente da PHC, a comunicação foi a competência em que mais investi. Não por vaidade. Sem ela, as boas decisões não chegavam às pessoas e as prioridades diluíam-se pelo caminho.

Comunicar bem é uma competência de liderança, não um traço de personalidade. Pode ser treinada. E o retorno tende a ser desproporcionado, porque a maioria dos líderes simplesmente não investe nisto.

Quem tem medo do palco

Nem a timidez chega para justificar essa ausência. A introversão não impede ninguém de comunicar bem, mas trava muita gente antes de começar a tentar. Conheço gestores excelentes que se descrevem como tímidos, que evitam falar em público durante anos e delegam a apresentação a outra pessoa.

A equipa nunca ouve a visão diretamente de quem a tem. Na PHC, vi pessoas que começavam a tremer quando tinham de apresentar para 15 colegas. Dois anos depois, faziam sessões para 200 sem pestanejar.

O que mudou não foi a personalidade. Isto é particularmente comum em empresas pequenas, onde o dono é técnico, sabe o que faz, mas não se vê como comunicador. Adia, à espera de se sentir confortável para falar para a equipa.

Esse dia nunca chega, porque o conforto vem com a prática, não com a espera. E enquanto o líder espera, a equipa fica sem a energia que só a comunicação regular consegue repor.

O tanque que ninguém enche

Essa energia não aparece por acaso. Todos os anos fazíamos um grande evento para os parceiros da PHC. Vinham cerca de mil pessoas, e passávamos um ou dois dias a mostrar novidades e a partilhar como víamos o mercado.

Esta publicação é apenas para subscritores

Subscreve gratuitamente para continuar a ler


Se achas que isto pode ajudar alguém, partilha.

Talvez conheças um líder, empresário ou fundador que esteja a lidar com este problema agora.