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Delegar não é largar

O erro silencioso que prende líderes às suas próprias empresas.
Delegar não é largar

O que há aqui para mim

Se a tua equipa espera por ti para escolher fornecedores, aprovar descontos ou resolver assuntos que já deviam estar fora da tua mesa, talvez o problema não seja falta de autonomia. Pode ser o sistema que tu próprio treinaste, decisão a decisão, até a empresa aprender a parar quando tu não estás.

Este artigo mostra como passar de uma delegação feita à pressa para uma delegação que aguenta pressão real: com contexto, limites claros, acompanhamento certo e decisões escritas. O ganho prático é simples: menos interrupções, mais velocidade e uma empresa que começa a funcionar sem depender sempre da tua agenda.

Este é um artigo PRO. Uma leitura em profundidade para quem quer ir além da ideia rápida, compreender melhor o problema e levar daqui métodos, contexto e aplicação prática para decidir melhor na tua empresa.

Numa reunião de equipa, semanas depois de eu ter regressado de uma conferência no Porto, a equipa parou para escolher entre dois fornecedores. Havia dados comparativos em cima da mesa, pessoas com experiência direta nos dois e uma matriz de decisão desenhada precisamente para este tipo de escolha. A decisão era trivial em termos de impacto.

Alguém disse, com a maior naturalidade do mundo, "devíamos perguntar ao Ricardo".

Ninguém estranhou. Nem eu, no momento. Estranhei depois. Aquela equipa tinha as competências, os dados e a autoridade formal para decidir. E o que ali se viu não foi falta de capacidade. Foi um reflexo treinado durante anos. Treinado por mim.

 

A empresa que aprendeu a esperar

Quando o CEO resolve tudo, ensina a organização a parar.

Durante muito tempo achei que estava a ser útil. Quando havia bloqueios, eu entrava, duas chamadas, problema resolvido. Cresceu uma empresa assim. E o crescimento ia confirmando o método, o que tornava a mudança quase impensável. Quando os resultados aparecem, é difícil questionar o caminho.

O que eu estava a construir não era uma organização. Era uma dependência.

Eu era o nó central da rede e a rede tinha aprendido que sem o nó nada se mexia. Não por incompetência das pessoas, mas pelo meu próprio comportamento, sistemático, ao longo de anos.

Há uma distinção que demorei a perceber. Existem líderes que criam dependência por vaidade, querem controlar e sentir-se indispensáveis. Não era o meu caso, ao menos não de forma consciente. Eu criava dependência por generosidade mal pensada. Achava que resolver era ajudar. Não era. Era subtrair.

 

O que Donna Genett ajuda a ver

Boa porta de entrada, mas pequena de mais para uma PME portuguesa.

O livro da Donna Genett, If You Want It Done Right, You Have to Let Me!, tem uma ideia útil.

Delegar começa antes do pedido.

Obriga a pensar no resultado, na pessoa, e na forma como vais acompanhar. É um bom exercício de comunicação para um líder que delega tarefas isoladas, num diálogo controlado, com tempo para preparar cada conversa.

Para uma PME portuguesa típica, com quarenta a cento e cinquenta pessoas, este livro fica curto onde mais dói. O livro trata da conversa entre líder e colaborador. O nosso problema costuma estar antes da conversa. Está no sistema dentro do qual ela acontece.

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Talvez conheças um líder, empresário ou fundador que esteja a lidar com este problema agora.