Estamos a progredir?
A empresa pode estar cheia de trabalho e, mesmo assim, quase parada no que mais importa.
É difícil de aceitar, porque o esforço está à vista: agendas cheias, reuniões, respostas rápidas, problemas tratados. O CEO olha à volta e vê movimento.
Mas estar em movimento não significa que estejamos a progredir.
Vi isto muitas vezes em empresas com equipas competentes, pessoas dedicadas, bons planos e uma sensação permanente de urgência. Tudo parecia importante, tudo tinha uma razão válida e, no fim do trimestre, ficava aquela impressão incómoda: correu-se muito, mas avançou-se pouco.
Numa PME, isto aparece depressa.
As vendas tentam salvar o mês, o produto não quer falhar a entrega prometida, o suporte está agarrado ao cliente que reclama todos os dias, as operações tentam manter a casa de pé e a área financeira pergunta, com razão, quem vai pagar isto tudo.
Visto de perto, quase tudo faz sentido. Visto de cima, pode ser um desalinhamento que se paga mais à frente.
Ninguém está a sabotar nada nem está parado. Pelo contrário, quase todos estão a fazer trabalho legítimo. O problema começa quando esse trabalho legítimo empurra a empresa em direções diferentes.
É aqui que muitos líderes se enganam.
Confundem movimento com avanço, horas gastas com resultados e equipas ocupadas com execução.
“Estamos todos cheios de trabalho” pode ser verdade e, ao mesmo tempo, esconder o problema principal: a empresa não escolheu com clareza o que tem mesmo de mudar este trimestre.
Quando isso acontece, cada equipa cria a sua própria versão de qual a prioridade.
Há sinais fáceis de reconhecer. As reuniões começam a servir para negociar urgências, não para proteger as prioridades. Os diretores chegam com problemas reais, mas cada um traz o seu incêndio. O CEO decide caso a caso, desbloqueia aqui, adia ali, muda as prioridades ao almoço e corrige outras ao fim da tarde.
A empresa continua a funcionar, mas funcionar não é o mesmo que progredir.
A estratégia pode ter sido bem apresentada. Só não chegou à semana de trabalho. Ficou nas intenções, não nas escolhas.
E sem escolhas, a operação ganha.
Ganha porque aparece todos os dias com clientes, prazos, reclamações, emails e urgências. Há sempre alguém a precisar de uma resposta antes do fim do dia.
A estratégia raramente grita. Por isso, se não tiver dono, números e acompanhamento, perde.
Outro erro comum é chamar resultado ao que é apenas atividade.
Subscreve gratuitamente para continuar a ler