O sucesso anestesia
O que há aqui para mim
Os números estão acima do objetivo e a equipa está contente, mas os prazos escorregam, os pedidos de clientes esperam mais uns dias e qualquer proposta de mudança encontra cinco razões para ficar como está. Quando isto aparecer nas vendas, já terá um ou dois anos de atraso.
Vais conseguir distinguir uma empresa que está a ganhar de uma empresa que apenas continua a receber pelo esforço de anos anteriores, e perceber porque é que objetivos mais altos e discursos sobre ambição rendem poucas semanas. Ficas também com sinais concretos para medir antes de as vendas caírem e com uma forma mais útil de olhar para a concorrência e para os clientes.
Este é um artigo PRO. Uma leitura em profundidade para quem quer ir além da ideia rápida, compreender melhor o problema e levar daqui métodos, contexto e aplicação prática para decidir melhor na tua empresa.
Reunião de direção, números do trimestre acima do objetivo, a equipa contente e eu calado no fim da mesa. Calado porque sabia que aquilo não chegava. Faltava-me a frase certa para o dizer sem desmotivar quem tinha acabado de fazer um bom trabalho.
Passei anos à procura dessa frase.
Quem nunca passou por isto acha que é conversa. O problema era mais prático: eu não tinha argumento nenhum.
Os números estavam do lado deles.
Na PHC nunca demos prejuízo. Durante décadas crescemos praticamente todos os anos e, na maioria deles, atingimos os objetivos que tínhamos posto no papel em janeiro.
Foi o meu maior orgulho em 35 anos e o meu maior problema de gestão.
O custo de ganhar demasiado tempo
Ganhar durante muitos anos cria um efeito difícil de explicar a quem nunca o viveu: a urgência desaparece.
Ninguém decide isto e ninguém o diz em voz alta. Aparece nas coisas pequenas de mais para chegarem a uma reunião.

Um prazo escorrega uma semana sem que ninguém se incomode. O pedido de um cliente fica dois dias parado porque afinal o trimestre já estava fechado. Alguém propõe mexer numa coisa que funciona e a equipa arranja, com muita boa educação, cinco razões para não mexer.
Depois há a frase que eu ouvia com um aperto no estômago: "sempre fizemos assim". Às vezes está certo e a coisa está mesmo bem feita. Na maior parte das vezes é só ninguém se lembrar da razão original.

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