Usar a IA não é adotar a IA
Há empresas com dezenas de licenças ativas, pessoas a usar ChatGPT, Claude, Gemini ou Copilot todos os dias e até apresentações internas com exemplos do que já se fez. Parece um certo progresso, mas na maioria dos casos não é.
A empresa continua a responder aos clientes à mesma velocidade, os relatórios continuam quase manuais, as reuniões não mudaram e a equipa continua a depender do líder para desbloquear o que quer que seja.
Isto não é adoção. É uso individual com aparência de mudança.
O problema é que o uso individual dá uma sensação falsa de avanço, e essa sensação impede o passo seguinte. O CEO pergunta "já estamos a usar IA?" e alguém responde que sim. A conversa termina ali.
A pergunta certa é : que processo da empresa mudou por causa da IA?
Numa PME, a IA só começa a ter impacto quando muda o trabalho real, quando reduz o tempo numa tarefa concreta, tira a carga administrativa a uma equipa pequena ou ajuda nas decisões porque organiza informações que antes estavam espalhadas em emails e ficheiros. Isto não acontece por osmose, nem acontece sem os líderes envolvidos, inclusive o CEO.
Pode haver responsáveis técnicos, equipas a propor casos de uso e entusiasmo genuíno em alguns departamentos, e tudo isso ajuda. Mas se o CEO não responder a perguntas concretas, a organização percebe a mensagem.
Que problemas vamos atacar primeiro? Que processos deixam de existir? Que líderes intermédios estão a travar a mudança? Que conversas difíceis têm de acontecer?
Sem respostas a isto, a IA fica para quando houver tempo. E numa PME com clientes para responder, propostas para fechar e dinheiro para gerir, esse tempo não aparece.
Há também um ponto que raramente entra nestas conversas. Alguns líderes intermédios construíram influência ao longo dos anos por controlarem o fluxo de informação: sabem o que sobe, o que fica, o que chega ao CEO e quando.
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