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O custo de continuar igual

O problema não é quanto custa a tecnologia. É quanto a tua empresa perde por cada mês em que adia usá-la a sério.
O custo de continuar igual

Muitas PMEs ainda olham para a tecnologia como um investimento opcional, quase um projeto para “quando houver tempo”. O problema é que o custo maior não está na compra. Está no atraso, no trabalho repetido, na decisão tomada tarde e no talento gasto em tarefas que já deviam estar automatizadas.

Há uma pergunta que muitos CEOs fazem mal:

“Quanto custa adotar tecnologia?”

Percebo a lógica. É prudente, é gestão, mas em muitos casos já não é a pergunta certa. A pergunta certa é outra:

Quanto custa continuar igual?

Custa mais do que parece e o pior é que esse custo raramente aparece com nome próprio numa linha do orçamento. Não vem descrito como “dinheiro perdido por atraso” ou “margem destruída por burocracia”. Vai-se espalhando pela empresa e, como se tornou normal, quase ninguém o vê.

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A forma mais segura de sair deste cálculo abstrato é escolher um processo, medir o estado atual e testar uma alteração durante um período limitado. No guia de adoção de IA para PME, mostro como preparar esse primeiro piloto.

Começa em coisas pequenas. Um ficheiro que vai por email, é corrigido por três pessoas e regressa com outra versão. Um pagamento que não foi cobrado a tempo porque ficou perdido no meio do mês. Um balancete que chega tarde e transforma a gestão numa tentativa de decidir com o retrovisor. Um diretor comercial que liga por intuição porque ninguém lhe mostrou, com dados, quais os clientes que estão a fugir do padrão.

Nada disto parece dramático isoladamente, mas junto pesa.

Há empresas onde pessoas bem pagas passam parte da semana a fazer trabalho de secretária melhorada, a procurar ficheiros, a cruzar folhas de cálculo, a confirmar números e a repetir tarefas que um sistema razoável podia tratar mais depressa e com menos erro. O custo não é só salarial. É estratégico. Estás a usar gente com experiência para fazer trabalho que não acrescenta valor.

Na gestão financeira isto é particularmente grave. Se a empresa continua a depender de processos manuais para pagamentos, cobranças, reconciliações e leitura da tesouraria, o CEO não está apenas menos eficiente. Está mais cego. E um líder que vê tarde decide tarde. Às vezes decide mal, não por incompetência, mas porque a informação chegou quando já vinha estragada pelo tempo.

Também nas pessoas o custo é real. Há empresas que fazem avaliações em Word, guardam-nas numa pasta e fingem que aquilo é gestão de talento. Não é. É arquivo. RH continua enterrado em tarefas administrativas, o feedback chega tarde e decisões importantes ficam desligadas dos dados que interessam.

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