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Assumir o erro desarma metade do ataque

Quando alguém te ataca, o instinto é atirar a culpa para a equipa. É precisamente isso que te torna mais fácil de atacar depois.
Assumir o erro desarma metade do ataque

Quando um par te ataca numa reunião, o instinto mais rápido é apontar para outro lado. Foi a equipa, foi o outro departamento, ou foi quem decidiu isto antes de eu chegar àquela mesa. Percebo esse instinto, ninguém gosta de ficar sozinho a segurar um erro que envolveu mais pessoas.

Mas há um custo aqui que a maioria só sente meses depois, quando já não há como apagar o que foi dito. Se atiras a culpa para a equipa sempre que algo corre mal, estás a construir, sem perceber, a história perfeita para um colega hostil. A de que nunca assumes nada e há sempre um culpado que não és tu.

Essa história não precisa de provas fortes. Precisa só de se repetir. Um erro de coordenação mal explicado, 3 ou 4 vezes num ano, já chega para alguém te descrever como uma pessoa que escorrega e nunca responde por isso.

Há um mês tive um projeto atrasado porque falhei o alinhamento entre a equipa de produto e a equipa comercial, que dependiam uma da outra para o mesmo prazo. Podia ter dito que o comercial prometeu datas que nunca existiram, e cheguei a pensar nessa frase durante a reunião. Ia dar-me jeito, teria sido mais confortável.

Não disse.

Numa reunião com mais pessoas na sala, disse só isto: a coordenação entre as duas equipas foi minha e falhou ali. Nada mais, sem explicar circunstâncias, sem suavizar com contexto.

É apenas reconhecer um facto operacional sem o esconder atrás de ninguém. Nada de humildade fingida ou de vulnerabilidade para inglês ver.

E funciona, porque a partir do momento em que assumes a parte que é tua, quem te queria atacar com "ele nunca assume nada" fica sem argumento. Já assumiste, em público, sem que ninguém tivesse de te arrancar isso pela força.

💡
É nestes segundos que uma equipa aprende se pode dizer a verdade ou se tem de se proteger. A relação entre responsabilidade, feedback, exigência e segurança está desenvolvida no guia de liderança para PME.

Continua a poder discordar das tuas decisões, do teu plano ou da tua estratégia, à vontade. Mas perde esse ataque específico, porque já não há terreno onde ele pegue.

Sei que parece o contrário do que devias fazer. Parece que te estás a expor mais. Na prática é o oposto, estás a fechar a única fresta por onde esse argumento entrava.

Tenho pena de não ter percebido isto mais cedo, teria poupado uns quantos anos de desgaste desnecessário.

Assumir bem um erro de coordenação não te torna imune a ataques, longe disso. Torna-te só mais difícil de atacar por essa via. Há outras vias, claro.

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