Voltaste de férias e estava tudo parado
Voltas de duas semanas fora, abres o portátil e encontras os projetos onde os deixaste, decisões à tua espera e resultados a metade do que devia.
A primeira reação é quase sempre a mesma: uma irritação surda, misturada com uma pergunta que não dizes em voz alta, será que ninguém aqui consegue trabalhar sem mim?
Conheço essa reação por dentro, porque já cheguei a confrontar pessoas como se lhes pedisse explicações por não me terem substituído com fidelidade, e foi sempre um erro. O problema raramente está onde parece estar.
Há um momento perigoso nas primeiras horas a seguir ao regresso, quando vês o estado das coisas e sentes um impulso quase físico de intervir já, com a sensação de que quanto mais depressa agires, mais depressa resolves. É precisamente aí que se estraga tudo.
A urgência vem de um sítio legítimo, a preocupação com os resultados, mas misturada com a frustração do que encontraste produz reações que não ajudam: um tom mais duro do que querias, uma reunião convocada com demasiada pressão, uma frase no corredor que fica na cabeça das pessoas muito mais tempo do que imaginas.
A intervenção apressada resolve pouco, põe as pessoas à defesa e obriga a uma segunda conversa para desfazer o efeito da primeira. Já cedi a este impulso mais vezes do que devia, e o padrão repete-se sempre igual.
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