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As decisões que estão presas em ti custam mais do que pensas

As decisões que estão presas em ti custam mais do que pensas

Não é quantas decisões tomas. É que tipo de decisões são, há quanto tempo esperam por ti e quem fica parado enquanto isso.

Sexta-feira, 18h. Um cliente quer 5% de desconto para fechar já. O comercial manda-te a mensagem, porque sabe que sem ti aquilo não anda.

Respondes em três minutos, sentes-te útil, resolveste um problema. E a empresa fica um bocadinho mais dependente de ti do que estava de manhã. Não é exagero, é aritmética.

Já vi este padrão em dezenas de empresas e o dono raramente o vê a acontecer, porque cada decisão isolada parece pequena. Aprovar um desconto não é grave. Decidir um prazo de entrega não é grave.

Onde é que está o problema, então? Está na soma. Quando juntas as vinte ou trinta microdecisões que passaram por ti só esta semana, percebes que a equipa nunca teve hipótese nenhuma de resolver nada sozinha.

Nem uma.

A maior parte dos líderes pergunta-se só se decide muito. Isso é a pergunta preguiçosa. A pergunta que dói um bocado mais, mas que vale a pena fazer, é outra: que tipo de decisões ainda dependem de mim, e o que é que isso está mesmo a custar.

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Uma decisão parada raramente é um problema isolado. Normalmente revela falta de direitos de decisão, cadência ou responsabilização. No guia prático de execução da estratégia numa PME, mostro como estas peças trabalham em conjunto.

Decisões estratégicas, que mudam direção ou risco do negócio, essas fazem sentido que passem por ti. Decisões operacionais recorrentes já são outra história. Um desconto, uma exceção, uma prioridade entre dois projetos, coisas que aparecem toda a semana com a mesma cara.

Se continuas a decidir isso, mau sinal. E depois há as microdecisões, aprovações e confirmações de pormenor. Se essas ainda passam por ti, isso diz uma coisa só: a tua empresa ainda não sabe decidir sem te perguntar primeiro.

Vale a pena fazeres este exercício ainda esta semana. Pega nos últimos cinco dias úteis e escreve todas as decisões que tiveste de tomar. Aprovação de desconto, resposta a cliente, contratação, exceção a uma regra, escolha de fornecedor.

Depois classifica cada uma como estratégica, operacional recorrente ou microdecisão. Quando os founders fazem isto pela primeira vez, ficam incomodados. E com razão.

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Talvez conheças um líder, empresário ou fundador que esteja a lidar com este problema agora.