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O colaborador que mais entrega pode ser o que mais destrói

Há uma ideia perigosa em muitas PME: enquanto a pessoa entrega números, tolera-se quase tudo o resto.
O colaborador que mais entrega pode ser o que mais destrói

Um profissional tóxico raramente destrói logo os resultados, destrói quem os produz. O dano entra devagar, quase nunca aparece num relatório e muitas vezes só é reconhecido tarde. Quando a empresa percebe, já perdeu confiança interna, gente boa e tempo que não recupera.

Convém separar bem as coisas. Nem toda a pessoa difícil é tóxica.

Há profissionais exigentes, incómodos até, que levantam riscos, travam decisões mal preparadas e não alinham com mediocridade. Isso pode criar desconforto, mas melhora a decisão. O tóxico é outra coisa. É um padrão repetido: desvaloriza os outros em público, retém informação, mina decisões fora da sala, muda de versão conforme quem está presente e faz-se de vítima quando é confrontado. Um episódio isolado não chega. O problema está na repetição e no efeito que deixa à volta.

O que torna isto perigoso para um líder é que a pessoa tóxica muitas vezes é competente. Tem currículo forte, resolve temas, vende, entrega. E é aí que a empresa hesita, porque se convence de que não pode perder aquela performance. Parece pragmatismo, mas muitas vezes é cegueira de curto prazo.

Porque o custo real não está no Excel daquele mês.
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