A pergunta que desmonta o "sempre fizemos assim"
Alguém propõe mexer numa coisa que funciona. A equipa responde com cinco razões educadas para não mexer, e todas fazem sentido. Depois alguém fecha a conversa com três palavras: "sempre fizemos assim".
Quem propôs fica com a sensação de ter perdido sem que ninguém o tenha contrariado. Eu ouvia esta frase com um aperto no estômago, porque sabia que a conversa tinha acabado e ninguém tinha decidido nada.
A frase nem sempre está errada. Há processos antigos que continuam bem feitos, e mexer neles seria um erro. Uma dupla verificação antes de um pagamento pode existir porque, um dia, a falta dela custou muito. Se for esse o caso, o processo merece ficar.
O problema é a razão que se perdeu. Numa tradição, alguém sabe por que se faz assim. Num hábito, já ninguém sabe. A frase serve para os dois casos, por isso não distingue nenhum. E discutir na sala qual é qual acaba, quase sempre, numa discussão sobre gostos.
Uma pergunta faz essa distinção. Essa pergunta é "Qual era a razão original?"
Ouves uma de três respostas.
A razão existe e ainda vale a pena. Manténs a regra, e agora todos sabem porquê. Isso já é um ganho, porque a regra deixa de depender da memória de uma pessoa.
A razão existia, mas o contexto mudou. Mudas a regra. A regra não estava errada. Alguém fez a regra para uma situação que acabou.
Ninguém sabe. Testas uma alternativa num prazo curto e vês o que acontece. Se nada correr mal, ficas a saber que a regra já não protegia nada.
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