A tua mensagem não passa de segunda-feira
Quinta-feira à tarde. Apresentas as prioridades do trimestre à equipa de gestão, explicas o objetivo e respondes às dúvidas. Sais da sala com a sensação de que foste claro.
Na segunda-feira às dez, cada responsável de área reúne a sua equipa. O diretor comercial conta uma versão. A responsável pela operação conta outra, parecida, mas com outro peso nas coisas.
Ninguém mentiu nem desobedeceu. A mensagem mudou pelo caminho e tu não estavas lá para perceber onde.
Duas versões chegam para desalinhar
Isto acontece em empresas pequenas. Numa empresa de 30 pessoas, chegam dois responsáveis a ler a mesma prioridade de formas diferentes para criar confusão.
Quando o líder não deixa claro para onde quer ir, cada pessoa preenche esse vazio com a sua própria interpretação. Fá-lo de boa-fé, com o que sabe do seu trabalho e dos seus clientes.
O resultado aparece semanas depois. Uma equipa dedica-se a um projeto que a outra considera secundário e os pedidos começam a chocar. O CEO passa os dias a apagar fogos e conclui que a equipa não executa.
Muitas vezes a equipa executa. Executa a versão que lhe chegou.
O ponto cego
O problema fica escondido porque o CEO mede a comunicação pelo que disse. O teste está no que chegou.
Na PHC, de três em três meses, havia formações em que eu falava sobre cultura e comportamentos. O que fazia diferença acontecia entre essas sessões: os líderes de equipa a terem conversas regulares com as suas pessoas, a passarem contexto e a explicarem o porquê das decisões.
Quando essa camada falha, a comunicação do topo dissolve-se antes de chegar à operação. O discurso no evento anual conta menos do que a reunião de segunda-feira de cada chefia.
Um teste para esta semana
Proponho um teste simples. Pede a três chefias que te expliquem, num minuto cada, qual é a prioridade do trimestre e por que é essa.
Subscreve gratuitamente para continuar a ler