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Perguntas anónimas ao CEO precisam de um filtro

Durante anos respondi todos os meses a perguntas da empresa inteira. O formato mudou o que as pessoas se atreviam a perguntar.
Perguntas anónimas ao CEO precisam de um filtro

Durante algum tempo, as perguntas que me chegavam tinham o nome de quem as fazia. Chegavam poucas. E quase todas eram pouco interessantes.

Isso incomodava-me. Se as pessoas não perguntavam, havia coisas que eu não sabia. Dúvidas sobre decisões, receios sobre o futuro e críticas que andavam pelos corredores sem nunca chegar até mim.

Durante o Covid surgiu uma nova sessão. A sessão chamava-se Ask the CEO. Era um ritual mensal na PHC, que nessa altura tinha duzentas e tal pessoas.

Nasceu para reduzir a conversa de corredor. Durava meia hora, dividida em duas partes. Na primeira, eu mostrava como a empresa estava a correr: os resultados, os OKRs, o que corria mal e como via o futuro. Na segunda, respondia às perguntas que as pessoas enviavam.

O formato parecia simples. Mas a forma como estava desenhado mudava muito a qualidade das perguntas.

Com nome, as pessoas protegem-se

Quando uma pergunta leva o nome de quem a faz, a pessoa pensa duas vezes. Evita o desconforto e filtra demasiado.

As perguntas mais úteis são as que custam fazer. Se o formato as torna arriscadas, o CEO nunca as ouve. Passa a decidir com uma imagem da empresa mais limpa do que a real.

A reação óbvia é tornar tudo anónimo. Foi o que fizemos. E apareceu outro problema.

Anonimato sem regras também falha

Sem controlo suficiente, algumas pessoas começaram a usar o espaço para fazer afirmações disfarçadas de perguntas. Algumas eram muito prejudiciais para a empresa.

O anonimato total protege quem pergunta. Também protege quem quer usar o espaço para atacar. Tivemos de definir regras.

As regras que ficaram

Com o tempo, o formato estabilizou em quatro regras:

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