Perguntas anónimas ao CEO precisam de um filtro
Durante algum tempo, as perguntas que me chegavam tinham o nome de quem as fazia. Chegavam poucas. E quase todas eram pouco interessantes.
Isso incomodava-me. Se as pessoas não perguntavam, havia coisas que eu não sabia. Dúvidas sobre decisões, receios sobre o futuro e críticas que andavam pelos corredores sem nunca chegar até mim.
Durante o Covid surgiu uma nova sessão. A sessão chamava-se Ask the CEO. Era um ritual mensal na PHC, que nessa altura tinha duzentas e tal pessoas.
Nasceu para reduzir a conversa de corredor. Durava meia hora, dividida em duas partes. Na primeira, eu mostrava como a empresa estava a correr: os resultados, os OKRs, o que corria mal e como via o futuro. Na segunda, respondia às perguntas que as pessoas enviavam.
O formato parecia simples. Mas a forma como estava desenhado mudava muito a qualidade das perguntas.
Com nome, as pessoas protegem-se
Quando uma pergunta leva o nome de quem a faz, a pessoa pensa duas vezes. Evita o desconforto e filtra demasiado.
As perguntas mais úteis são as que custam fazer. Se o formato as torna arriscadas, o CEO nunca as ouve. Passa a decidir com uma imagem da empresa mais limpa do que a real.
A reação óbvia é tornar tudo anónimo. Foi o que fizemos. E apareceu outro problema.
Anonimato sem regras também falha
Sem controlo suficiente, algumas pessoas começaram a usar o espaço para fazer afirmações disfarçadas de perguntas. Algumas eram muito prejudiciais para a empresa.
O anonimato total protege quem pergunta. Também protege quem quer usar o espaço para atacar. Tivemos de definir regras.
As regras que ficaram
Com o tempo, o formato estabilizou em quatro regras:
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