Nem todas as pessoas difíceis são tóxicas
Uma pessoa que cria tensão não faz necessariamente mal à equipa. Às vezes acontece o contrário. Há profissionais exigentes, diretos, incómodos até, que levantam riscos cedo, fazem perguntas difíceis e travam decisões mal preparadas. Não estão a intoxicar o ambiente, estão a impedir erros caros, consensos falsos e decisões preguiçosas.
Vale a pena fazer bem esta distinção, porque o preço de a fazer mal pode ser alto. Uma empresa que protege o verdadeiro tóxico destrói confiança, mas uma empresa que sufoca a discordância útil também se enfraquece. Fica talvez mais confortável, mas decide pior.
A diferença não está no tom simpático nem no facto de alguém ser fácil de aturar.
Está no propósito e no efeito.
Um profissional exigente pode discordar de frente, sem jogo lateral, confrontar ideias sem atacar pessoas, dizer na reunião o mesmo que diz no corredor, insistir em padrões mais altos e recusar alinhar com mediocridade só para manter uma paz aparente. Isso cria desconforto, sim, mas muitas vezes aumenta a clareza, melhora a decisão e preserva o respeito entre adultos.
O tóxico funciona de outra maneira:
Desgasta, divide e corrói a confiança.
Em vez de ajudar a equipa a pensar melhor, obriga-a a defender-se. Não confronta para melhorar a decisão, confronta para marcar território, reter poder, manipular perceções ou enfraquecer os outros. O padrão costuma incluir coisas como desvalorizar colegas em público, mudar de versão conforme quem está na sala, minar decisões fora da reunião ou fazer-se de vítima quando é confrontado. Não é um momento mau. É um modo de operar.
Este ponto interessa muito a quem lidera, porque o erro de diagnóstico é frequente. Há líderes que, por evitarem conflito, começam a tratar como “problema de atitude” precisamente quem mais ajuda a empresa a não se enganar. Cortam a franqueza boa e deixam crescer a tensão errada.
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