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Promover o melhor técnico pode criar dois problemas

Promover o melhor técnico a líder é uma decisão que parece óbvia e que pode custar duas vezes: a empresa perde capacidade técnica e ganha um líder sem preparação para gerir pessoas.
Promover o melhor técnico pode criar dois problemas

Já fiz esta promoção. Mais do que uma vez.

Tens o melhor comercial da casa. Conhece os clientes pelo nome, fecha o que ninguém fecha e todos o respeitam. Abre a vaga de diretor comercial e não há sequer conversa. É ele.

Seis meses depois vende menos, porque o dia dele passou a ser aprovar descontos e responder a perguntas. A equipa vende na mesma. E tu, que achavas que tinhas resolvido o problema, tens agora dois.

O que o tornou bom não chega

A pessoa está bem. O que falhou foi a forma como a escolheste.

Durante anos aquela pessoa foi recompensada por resolver depressa, por saber mais do que os outros e por entregar com as próprias mãos. Funcionou. Foi exatamente por isso que reparaste nela.

Só que liderar pede quase o contrário. Não resolver. Perguntar em vez de responder. Aguentar que alguém demore três dias a fazer o que tu fazias numa tarde. Aguentar em silêncio, que é a parte difícil.

Depois há as conversas. Dar feedback desconfortável a quem era colega na semana passada. Entrar num conflito que preferias fingir que não existe.

O trabalho deixou de ser fazer bem. Passou a ser conseguir que outros façam bem. São duas competências diferentes e raramente vêm no mesmo pacote.

Daí os dois problemas. O primeiro vê-se no trimestre: perdeste capacidade técnica, porque quem gerava retorno direto passou a gerá-lo através dos outros e, no início, gera menos dos dois.

O segundo pesa mais e demora um ano a aparecer. Se aquela pessoa não tiver perfil, preparação ou vontade real de liderar gente, criaste um líder fraco.

E um líder fraco não estraga só a agenda dele. A equipa fica sem saber o que é prioritário, as decisões param à espera de aprovação e as conversas difíceis não acontecem.

Nada disto aparece num relatório. Aparece dois anos depois, quando as melhores pessoas daquela equipa já saíram e ninguém consegue explicar bem porquê. O Princípio de Peter descreveu isto em 1969: nas hierarquias, as pessoas tendem a ser promovidas até ao seu nível de incompetência.

A pergunta que fiz mal

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Talvez conheças um líder, empresário ou fundador que esteja a lidar com este problema agora.