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Quando deixas de entrevistar, a cultura começa a mudar

Cada chefia contrata para a versão da empresa que tem na cabeça. A diferença só se nota anos depois.
Quando deixas de entrevistar, a cultura começa a mudar

Há um dia em que deixas de entrevistar toda a gente. Faz sentido. A agenda já não aguenta, as chefias conhecem melhor as funções e tu tens outras decisões à espera. É uma boa decisão de delegação.

Dois anos depois, reparas que as pessoas novas são competentes, mas não são como as de antes. E ninguém sabe dizer porquê. Na PHC, percebi tarde que o problema tinha começado ali.

O crivo que ninguém escreveu

Quando entrevistas toda a gente, não estás lá por seres quem melhor avalia um programador ou um comercial. Para isso há quem conheça as funções por dentro.

Estás lá para garantir que cada pessoa nova vai decidir de forma compatível com o que a empresa quer ser. Como reage a um cliente difícil. O que faz quando o combinado e o certo não coincidem. Se esconde um erro ou o põe em cima da mesa.

Esse crivo nunca foi escrito. Não era preciso, porque estava na tua cabeça e tu estavas em todas as entrevistas.

Como o desvio acontece

Quando o recrutamento passa para as chefias, o crivo continua a existir, mas muda de mãos. E em cada mão fica um pouco diferente.

Cada chefia contrata para a cultura tal como a vê. E vê-a através do que observou ao longo dos anos: o que foi premiado, o que foi tolerado, o que passou sem consequência. Ninguém faz isto por mal. É uma interpretação, e cada pessoa tem a sua.

Uma contratação desvia pouco. Dezenas por ano desviam muito. Na PHC, cada líder tinha uma versão ligeiramente diferente da cultura, e isso via-se nas pessoas que entravam.

Há ainda um efeito em que poucos pensam. Algumas dessas pessoas vão chefiar equipas e contratar também. O desvio de hoje passa a ser o critério de amanhã.

Tornar o crivo explícito

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Talvez conheças um líder, empresário ou fundador que esteja a lidar com este problema agora.